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pisca



Domingo, 15.08.04

Uma semana depois

O tempo parece voar.

Dou por mim, hoje, uma semana depois, a pensar no dia "P". No momento.

Um dia que foi programado, pois o peso estimado da nossa princesa era demasiado para um parto normal. Puro engano do ecografista, pois a Francisca pesava, quando nasceu, 3410 g e media 48,5 cm. Grande, mas não tanto!

Chegámos à Maternidade às 9h00, numa manhã cinzenta que continuou cinzenta até ao dia de irmos embora. Podia fazer um à parte para considerações sobre o estado do tempo ("a chuva abençoa"), a data ("casou os números"), mas fica para outra vez.

Dizia eu, chegámos à Maternidade e inscrevi-me nas urgências. Sem ninguém à minha frente, restava-me esperar pela enfermeira e pelo médico. Preenche-se o processo, últimas observações, e lá vou eu para o próximo piso. Cada vez mais próximo do "momento".

Ainda assim esperei, cheia de fome (sem comer desde a meia-noite), com o soro a correr. Pela hora. 14h45

14h45, vêm buscar-me.

Um beijo ao pai Tiago.

Entrada no Bloco.

Estava frio.

As pernas tremiam-me. Não sei se do frio, se da ansiedade.

Não havia volta a dar-lhe. Dentro de momentos ia ver a minha filha. A espera tinha chegado ao fim - 39 semanas e 5 dias.

Não senti nada. Não vi nada. Consequências da anestesia geral, pois claro.

15h30. Acordei. Custou-me respirar, recordo-me agora. Como se estivesse a regressar de um longo mergulho em apneia.</p>

Do meu lado esquerdo lá estava Ela, a nossa Princesa, a nossa Filha, A MAIS-QUE-TUDO, de olhinhos abertos, vestida, com um cheiro inebriante, impossível de esquecer.

E o pai Tiago ao lado, que já tinha apreciado um momento semelhante.

Levaram-me para o quarto. Num resto de tarde chuvosa, sonolenta, a acompanhar o meu estado de dormência-latência e excitação por ter uma bebé tão linda ao meu lado.

Depois as dores - nos pontos.

O soro - uma espera interminável para mo tirarem.

A sede - e eu sem poder beber água.

Mas o relógio foi meu amigo e as primeiras 24 horas voaram, e com elas as dores diminuiram, a sede matou-se e voltei a comer.

A minha vida mudou no dia 8 de Agosto.

Fui mãe.

Sou mãe.

Posso mudar de casa, de cidade, de país, de emprego, até de marido, mas nunca mais vou deixar de ser mãe.

E, pelo que tenho apreciado, é maravilhoso. Ser mãe.

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por Pisca às 17:19


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